quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Ser mãe dói?!

Dói, dói muito! Na verdade ser mãe dói ainda antes de o ser…

Dói a cada teste de gravidez que insiste em ficar negativo, quando se quer muito e o que se espera parece nunca chegar.

Dói quando vem o positivo, e cai sobre nos todos os medos e receios do mundo, ao saber que vamos ter um ser da nossa inteira responsabilidade.

Dói quando ouvimos o coração pela primeira vez. Tão rápido, tão forte… quando se torna real e palpável que o melhor do mundo está para chegar.

Dói no parto, não vou mentir. Dói, às vezes mais, as vezes menos. Mas doí, e eles nascem e nós temos que reagir de imediato. Não há espaço para descansar ou recuperar. Começa ali uma nova vida

Dói a cada febre… ah como dói… Dói tanto, o sentimento de impotência. De querer desesperadamente ajudá-los e não conseguir. De querer tomar a dor deles e não poder

Dói a cada dente que cresce, e incomoda, e chateia e os faz chorar.

Dói a casa tosse que insiste a altas horas da noite e em que não há cebola, ou cenoura ou vapores ou truques milagrosos que façam desaparecer.

Dói a cada queda, casa trambolhão, cada arranhão ou nódoa negra que nós tanto tentamos evitar.

Dói a cada virose, cada dor de barriga, ou ida ao hospital…

Dói de cada vez que um amigo o empurra, ou morde, ou bate...

Dói de cada vez que ele fica triste, e a cada beicinho...

Dói a cada primeiro dia de aulas, quase tanto como nos dias seguintes...

Dói a cada primeiro desgosto de amor…

Dói a toda a hora… às vezes até dói por coisas boas, por ser tão bom, puro e verdadeiro.

Ser mãe dói?!  Sim, dói muito! 

E é por doer tanto que nos cabe só a nós esse duro trabalho de ser mãe!

Porque só uma mãe é capaz de tratar a dor, com amor!

(Imagem: psicologiaacessivel.net/)

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Ansiosa(mente) Mãe!

Quando falamos com uma grávida descobrimos que naturalmente tem muitos receios. Receios naturais.
Receio do parto, receio de ter um recém-nascido à sua inteira responsabilidade. Receio de não saber cuidar devidamente do bebé… Muitos receios.
Eu tive outros.
Nunca tive medo do parto, nem do bebé que aí vinha! Também nunca tive medo de falhar porque o meu medo sempre foi algo muito maior. Algo estava fora do meu alcance controlar. 

Só tive medo da minha ansiedade!

Sendo a ansiedade “apenas” um estado emocional, e uma característica psicológica é muitas vezes desvalorizada, bem como as suas consequências. Mas eu sei o que é, como a sinto e por isso tenho medo dela!

Sempre sofri muito com a ansiedade, e odeio-a profundamente, mas não a consigo controlar.
O meu maior medo, mesmo ainda antes de engravidar, era de deixar a ansiedade conduzir-me a ter comportamentos ou sensações que não pretendia.

E vendo bem até aconteceu.

Quando o Vasco nasceu, como qualquer mãe tinha medo de falhar, de não saber tomar conta daquele pequeno ser indefeso… Mas acima de tudo tinha medo que esse medo me conduzisse a uma espiral descendente de ansiedade. Optei por esforçar-me ao máximo para me manter calma e concentrada. Focada naquilo que tinha que acontecer.

Resultou. Mantive a ansiedade controlada, mas esse foco custou-me o sabor do momento. O esforço pela concentração era tanto que sinto que não “apreciei verdadeiramente” todos os momentos. Como se vivesse num estado de “piloto automático” …

Aos pouco, e vendo tudo a resultar e fluir sem problemas acabei por me ir libertando.
Até agora!

Não sei como nem porquê, mas a ansiedade tem tomado conta de mim nos últimos dias.

É absurdamente difícil ser a mãe que quero ser enquanto luto com uma crise de ansiedade!

É uma luta interna, difícil…. É não ter paciência, não ter vontade… É estar facilmente irritável, nervosa, e stressada…
É ter muitas vezes dificuldade em controlar comportamentos impulsivos que todos sabemos que muitas vezes magoam os que nos rodeiam e não queremos isso para os nossos filhos.
É debater-me para não gritar, para não reagir a quente, para não ser injusta. Debater-me para conseguir brincar um bocadinho, “gozá-lo” e aproveitá-lo verdadeiramente sem cair novamente naquele “piloto automático”… É estar constantemente nervosa, com o coração a mil, e ter que disfarçar porque não quero que o meu filho perceba.

Acredito que não perceba, mas ontem quando nos deitámos, abraçou-me com força como se percebesse. Como se me dissesse que não faz mal, que vai passar…
E aquele abraço valeu todo o esforço com que me debato.


É difícil, muito difícil, mas existem soluções. Não devemos deixar que eles paguem uma fatura que não são eles que devem. Afinal, só estamos juntos um par de horas por dia. E com aqueles abraços, como é possível não fazer o impossível?! Por ele valerá sempre a pena!


segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Passatempo#15 – Cookie Tiny Bite

Vêm aí o Natal!!!

Adoro a época Natalícia e adoro que esteja tudo a preceito.
A partir de 1 de Dezembro toda a minha vida se vai encher de Vermelhos e Verdes, Azevinho, e cheiro a canela!

Gosto de manter tradições e por isso vamos deixar o leite e as bolachas junto à lareira para o Pai Natal.

E encontrei a caneca mais fofa para o efeito. E juntei-me à Cookie Tiny Bite para vos oferecer uma:



Vamos vos oferecer uma caneca fofinha para ajudar a aquecer os vossos dias e os vossos corações.



O que têm que fazer para ganhar? Fácil, fácil: 
• Seguir a página do Sei lá eu ser mãe  - Sigam-nos também no Instagram
• Seguir a página da Cookie Tiny Bite - Sigam-nos também no Instagram
• Mencionar 3 amigos que possam gostar de receber este presente
• És também convidado a partilhar o post original só para que os teus amigos saibam do passatempo.

Agora as regras:
·         Só é válida 1 participação por pessoa
·         O vencedor será escolhido via Random.org
·         Exclui-se qualquer responsabilidade do Facebook por cada participante. O passatempo não é, de forma alguma, patrocinado, aprovado, administrado ou associado ao Facebook.
·         O Vencedor será anunciado na próxima segunda-feira.




Até lá, espreitem a página da Cookie Tiny Bite , para verem um monte de opções disponíveis, e não deixem de acompanhar as nossas aventuras!

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Os difíceis 2 anos!

Ontem ouvi-te a falar com uma amiga sobre como é difícil os 2 anos!
Fiquei feliz. Pensava que não compreendias, e fiquei muito feliz por saber que percebes o quão difícil é os dois anos.

Não é à toa que chamam a adolescência dos bebés, porque é mesmo isso. É uma fase de descobertas e de mudanças.

É a fase em que descubro que afinal também tenho vontade, também tenho direitos, e acredita que é muito difícil para mim tentar controlar a forma como me expresso. E é por isso que há as birras.

É que agora que eu descobri que posso fazer e mexer em muitas coisas, é quando me proíbem mais de as fazer, e eu não percebo porquê.

Eu não te quero chatear… Gosto muito mais quando estamos os dois a brincar em sintonia, mas às vezes não percebo mesmo porque é que não podemos brincar com tesouras, ou a atirar água um ao outro… Fizemos isso na praia lembraste?! E tu riste… e eu gosto tanto quando te ris comigo… Não percebo porque é que quando te atirei com a água em casa no outro dia ao jantar, te chateaste comigo…

Não percebo também porque é que temos que ir para a cama. Estamos tão pouco tempo juntos... Gostava que ficássemos a brincar os dois para sempre, sem nunca ter de dormir.

Mas acho que isto faz parte da descoberta, ainda estou a tentar descobrir o que é que posso ou não posso fazer, para que fiques sempre a sorrir comigo sem te zangares.

Fico feliz que percebas o quão difícil são os 2 anos, e tudo aquilo que está a mudar.

Já queres que eu coma sozinho e sem entornar… Mas às vezes distraio-me e fico a brincar com a comida. Mas temos que comer depressa não é?! Tu estás sempre a dizer para me despachar…

De repente tenho que ir fazer xixi como tu e o pai, quando até agora podia fazer na fralda que simplesmente tu trocavas… Eu tento mãe, mas às vezes quando estou a brincar não quero parar… e tu depois zangaste comigo.

E antes quando nos zangávamos, deixavas-me usar a minha xuxinha e o meu boneco. É que sabes, eles são meus amigos, e ajudam-me quando estou triste. Ajudam a que tudo fique bem. Não percebo porque é que agora estás sempre a esconder a minha xuxinha e o meu boneco…

Ah e mãe, só mais uma coisa… Eu gostava tanto de beber o leitinho quentinho ainda na cama no biberon… Não me obrigues a ir para a mesa beber na caneca…

Não tenhas pressa que eu cresça… Não dizes sempre às tuas amigas que o tempo passa a correr, então aproveita-o!

Mas, mãe, só queria dizer que fico muito feliz que percebas como os 2 anos são difíceis para mim. Obrigada pela tua paciência!”


Ass: o teu filho


terça-feira, 14 de novembro de 2017

Nunca quis ser amiga de mães!

Sabem aqueles grupos irritantes de mães que andam por ai espalhados?! Aqueles grupos fechados, privados ou secretos de “Mamãs de Novembro 2017” e por aí a fora?!
Nunca quis…
Nunca tive interessada em falar sobre mucos, ou ecografias, ou períodos férteis, nem rolhões mucosos.
Nunca tive interessada em falar sobre fraldas, ou cor dos cocós, ou marcas de cremes para assaduras, nem formatos de tetinas ou chupetas.  Via esses grupos como aglomerados de mulheres com hormonas desequilibradas e sem mais nada para fazer.

Eu não precisava delas. Tinha toda a internet para ler, e que me explicaria todas as minhas duvidas. Para casos de saúde tinha o numero de telemóvel e o email da minha obstetra e mais tarde o do pediatra.  Não havia dúvidas ali que me pudessem tirar.

Ironicamente, juntei-me a um grupo desses. – que estupidez, pensei eu.

Depois, contra todas as minhas espectativas esse grupo não era apenas um aglomerado de mulheres com hormonas descontroladas, estávamos todas doidas sim, mas depressa nos tornamos em muito mais que isso.

Enquanto toda a gente trabalhava e andava ocupada nos seus afazeres eu e elas estávamos nos nossos últimos dias de grávidas em casa e tínhamo-nos apenas umas às outras para partilhar fotos do enxoval do bebé.
Eram elas que lá estavam quando fiz a mala da maternidade e não sabia o que levar.

Sempre achei esses grupos irritantes até perceber que ninguém me conseguiria entender como elas.
Nem mesmo o meu marido, a minha mãe ou a minha irmã.
Eram elas que percebiam o porquê de cada lágrima que eu chorava, eram elas que percebiam e se riam comigo de cada coisa que eu me esquecia, de cada emoção, cada sentimento…

Sempre achei esses grupos irritantes até perceber que cada uma delas era eu, e eu era cada uma delas. Cada dia a descobrir, e a fazer tanto pela primeira vez. A sentir o misto de emoções, a descobrir um novo “eu” em cada uma de nós.

Sempre achei esses grupos irritantes até fazer parte da minha vida! Até ter uma parceira com quem rir, com quem chorar, com quem desabafar. Alguém ao mesmo ritmo que eu, a viver a cada dia, algo muito semelhante a mim.

Com elas aprendi muito, tirei muitas dúvidas, rimo-nos e chorámos tanto juntas que parece impossível. Criámos laços, chateámo-nos, e voltamos a ser amigas…

Passámos as nossas gravidezes juntas, partilhámos os pontapés dos bebés e os partos melhores e piores. Falámos sobre as cólicas, depois os dentes e festejamos quando o primeiro se sentou sozinho. Chegaram as sopas, as frutas, a ida para as creches, os primeiros passos… Quando demos conta, os putos já correm, já falam, já nos tiram do sério…

Nunca quis pertencer a grupos de mães, até descobrir que a vida era muito mais fácil com elas.


3 anos depois, às minhas amigas: Obrigado por existirem! 


segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Passatempo#14 - Tu pedes, eu dou! - Stikets

Vamos dar-lhes espaço para a criatividade!

Desde o 1º ano do Vasco que lhe comprei um quadro de giz para que ele pudesse rabiscar á vontade! O problema do quadro é o espaço que ocupa.
E a verdade é que os brinquedos dos mais novos são cada vez maiores e ocupam cada vez mais espaço.

Assim encontrei uma alternativa na Stikets, e que como não podia deixar de ser decidi partilhar convosco.

Um vinil de ardósia!




É um vinil, em forma de balão de conversa, que podem colar facilmente numa superfície limpa e seca, limpa-se apenas com um pano húmido, e para escrever podem usar marcadores de giz ou simplesmente GIZ!

O que têm que fazer para ganhar? Fácil, fácil: 
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Agora as regras:
·         Só é válida 1 participação por pessoa
·         O vencedor será escolhido via Random.org
·         Exclui-se qualquer responsabilidade do Facebook por cada participante. O passatempo não é, de forma alguma, patrocinado, aprovado, administrado ou associado ao Facebook.
·         O Vencedor será anunciado na próxima segunda-feira.




Até lá, espreitem a página da Stikets, para verem um monte de opções disponíveis, e não deixem de acompanhar as nossas aventuras!

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

EU SOU A MÃE PERFEITA!

Eu sou a mãe perfeita que comi sushi e marisco na gravidez!

Eu sou a mãe perfeita que não amei loucamente o meu filho no segundo em que ele nasceu (ainda que o ame loucamente agora :) )

Eu sou a mãe perfeita que só amamentei até aos 4 meses, e ainda assim dei-lhe leite adaptado!

Eu sou a mãe perfeita que fui a correr para as urgências quando ele teve a primeira febre!

Eu sou a mãe perfeita que chorei baba e ranho nos primeiros 15 dias!

Eu sou a mãe perfeita que vi o meu filho cair com a cara no chão a centímetros das minhas mãos!

Eu sou a mãe perfeita que já deu frutas de boião do supermercado!

Eu sou a mãe perfeita que de vez em quando o deixa comer bolachas, estrelitas e pipocas!

Eu sou a mãe perfeita que já se chateou à séria com ele!

Eu sou a mãe perfeita que tem a casa por arrumar, pó nas prateleiras e loiça por lavar quase sempre!

Eu sou a mãe perfeita que veste calças só para não ter que fazer a depilação!

Eu sou a mãe perfeita que já esperou que o pai chegasse para mudar a fralda!

Eu sou a mãe perfeita que já fingi não o ouvir enquanto estava no banho, para que o pai fosse lá!

Eu sou a mãe perfeita que já ficou na cama a dormir, enquanto o pai e ele se levantaram e foram brincar para a sala!

Eu sou a mãe perfeita que já o deixou com a avó para ir jantar fora!

Eu sou a mãe perfeita que o deixa comer terra ou areia e perceber por si próprio que não é lá muito agradável!

Eu sou a mãe perfeita que nem sempre tem paciência para brincar!

Eu sou a mãe perfeita que às vezes apetece apenas ficar a ver tv.

Eu sou a mãe perfeita que às vezes o deixa dormir na minha cama só para não ter que o ir pôr na dele!

Eu sou a mãe perfeita que nunca atinei com um marsúpio/sling  (ou lá o que chamam àquilo)!

Eu sou a mãe perfeita que já o deixei dormir no carro!

Eu sou a mãe perfeita! E para quem tenha dúvidas perguntem-lhe a ele, quem seria para ele a mãe perfeita!


Aposto que a resposta, sou eu! 


quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Como o meu filho com um atraso na fala me ensina tanto todos os dias

Uau! Que lição de vida!

Quando menciono a alguém que o meu filho tem um atraso na fala, a tendência geral é que tenham “pena” ou que incentivem com coisas como “vai passar”, ou “mas ele é esperto”… Como se precisasse de algum conforto.

É uma reacção válida e normal. Em tempos, também eu a teria. O que eu não consigo fazer com que os que me rodeiam compreendam, é que não preciso de conforto. Não preciso de um abraço, nem preciso que me digam que vai ficar tudo bem.

Eu sei que vai ficar tudo bem, com a maior das certezas que já tive na minha vida!

É ele! É ele que me mostra diariamente que vai ficar tudo bem. É ele que me comprova a toda a hora que é um miúdo esperto e que não há nada de errado com ele, muito menos connosco. É ele, que todos os dias me ensina lições valiosas sobre a capacidade de adaptação do ser humano, e como damos importância a coisas tão pouco importantes.

O meu filho, do alto do seu atraso na fala não deixa nada por dizer.

É assustadoramente incrível como ele expressa tudo o que quer, tudo o que sente…. Pede o que quer, mostra o que quer que eu veja, explica o que vai na sua cabeça… E o mesmo resulta ao contrário. 

Ao contrário do que seria de esperar, não preciso de adaptar de forma alguma o meu discurso para que ele me compreenda.

Digo tudo o que quero, tal como se tivesse a falar com um adulto, e ele percebe…Na perfeição!
Se lhe disser para irmos mudar a fralda, ele é o primeiro a ir para a minha cama, e a pegar nos acessórios necessários…
Se lhe disser que está na hora de jantar, vai certinho para a cozinha e ainda passa pela gaveta a apanhar um babete.
Se lhe perguntar se quer ir passear, vai todo aos pulinhos ao quarto buscar o casaco e o chapéu.

Se fizer uma birra, sento-me no chão e ele vem logo para o meu colo para conversar… Eu explico-lhe o que vai acontecer e porquê (ex: temos que ir jantar primeiro e depois é que vamos brincar) ele, ouve, negoceia comigo até concordarmos os dois e a conversar é que nos entendemos… - irónico, para quem tem um atraso na fala!


Conversa com os amigos, conta-me o que fez na escola, diz-me segredos, brinca com o avô que como ele pouco fala, explica tudo o que quer e faz as suas reclamações. E tanto explica o que o incomoda como o que o agrada. Não há dia que não diga (da maneira que sabe) que me ama, e que sabe o quanto o amo! 

Mostra-me todos os dias que o ser humano é fantástico, e que no fundo, as coisas mais importantes dizem-se e ouvem-se com o coração!


sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Anda uma mãe a criar um filho para isto!?

Onde é que vamos parar?
O que é que andamos a criar?!

Anda uma mãe a criar um filho para perder a noção de tudo? Para à troca duma noite com amigos, se sujeitar a uma cena de pancadaria inigualável em que nem tão pouco se consegue defender por estar podre de bebâdo?! Anda uma mãe a criar um filho para chegar a casa com a cara desfeita por uns dois quaisquer frustrados que acham que são alguém?

Anda uma mãe a criar um filho para se tornar em alguém tão desprovido de tudo o que é certo? Anda uma mãe a criar um filho para se tornar segurança e achar que pode pisar a pés juntos a cabeça duma pessoa quase inanimada!? Anda uma mãe a criar um filho, para que ele se torne numa besta?! - Não deve haver maior sensação de falhanço...

Anda uma mãe  criar um filho para sair à noite e assistir a filme de terror na rua!? Anda uma mãe a criar um filho para estar no meio de várias dezenas de pessoas a assistir a um crime violento e sem dó e ainda assim de todas as dezenas que assistem ninguém intervém!? Anda uma mãe a criar um filho, para que consiga assistir a violência extrema gratuita enquanto fuma um cigarro, como se nada de mais se passasse?!

Anda uma mãe a criar um filho para um dia se tornar gerente dum clube nocturno onde reina a fama de álcool, drogas, putas e violência?! Anda uma mãe a criar um filho para ser conhecido como alguém sem escrúpulos, famoso por ameaçar homens, mulheres e adolescentes por uns trocos?!

Anda uma mãe a criar um filho para acabar a trabalhar num antro de tráfico de droga, onde toda a gente sabe que se ameaçam autênticas crianças, se abusam das mulheres, se exagera em demasiadas coisas?! 

Anda uma mãe a criar um filho para viver com medo?!

Medo que seja agredido à saída duma discoteca? 
Medo que seja um segurança agressor numa discoteca? 
Medo que falhe tanto na empatia e na coragem, que mesmo em grupo não seja capaz de defender uma vitima indefesa de injustiça? 
Medo que se torne num "gerente" dum antro de tudo o que é errado?
Medo que acabe a trabalhar num local famoso pela violência e drogas?!

Anda uma mãe a criar um filho para isto?! - Párem o mundo, porque eu quero sair!


segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Desculpa filho!

Desculpa, desculpa, desculpa! Milhões de vezes desculpa.

Até diria que nem mereço que me perdoes, porque tu, és tão puro e inocente que nem sentes que precisas me perdoar. Tu és tão incondicional que és meu, com todos os meus defeitos… Ainda assim, quero-te pedir desculpa!

Desculpa por todas as vezes que me pediste colo e eu não to dei. Nada justifica não o dar. Tu não vais ser mimado, não vais ficar mal habituado, e eu nem estou assim tão cansada. A verdade é que um dia muito em breve, já não vais querer o meu colo, e eu vou estar ainda mais arrependida pelas vezes que não to dei.

Desculpa por todas as vezes que te falei mais alto. Pela paciência que me faltou, pelos afazeres que me exacerbaram e que me fizeram falar-te mais alto e de forma impaciente. O certo é que tu recorreste a mim, e eu não te correspondi.

Desculpa pelo cansaço… pela exaustão que às vezes toma conta de mim e que não me deixa acompanhar as tuas correrias, as tuas emoções ou a tua alegria! Nunca deixes de ser assim. Mesmo que a mãe te diga que está cansada, não desistas de mim.

Desculpa por ter que trabalhar. Por te deixar a maior parte do dia com pessoas que não sou eu. Por apenas estar contigo um par de horas por dia. Por não conseguir estar mais tempo contigo e acompanhar mais o menino em que te estás a tornar. Eu prometo que tento, e que estou contigo todos os minutos que consigo.

Desculpa por ter sono quando ao Domingo de manhã queres ir jogar à bola. Por ir muitas vezes ainda meio ensonada e a esfregar os olhos, e muitas vezes tentar dissuadir-te da ideia.

Desculpa por ter muitas coisas para fazer. Roupa, loiça, pó… E ainda que tente sempre fazer disso uma brincadeira, se eu pudesse as nossas brincadeiras seriam sempre outras.


Desculpa filho, se a vida é injusta! Se o mundo não está preparado para me deixar ser completamente tua mãe! Muito disto não é a minha culpa, mas ainda assim, tu és o mais importante da minha vida, e o que lhe dá sentido. E por isso mereces o meu pedido de desculpa, hoje e sempre, mesmo que não o queiras.



sexta-feira, 27 de outubro de 2017

#Histórias de Mãe – O meu leite não chega!

“Antes de mais é sempre bom saber que sou a favor da amamentação. Foi assunto no qual nunca pensei antes de engravidar.
A minha gravidez foi desejada e planeada. Aos 7 meses fui aconselhada a ficar em casa o resto da gravidez por ter a placenta baixa e o colo do útero mole. Sobraram-me 2 meses sem quase nada para fazer. Li! Li muito. Decidi aproveitar o meu tempo para me preparar para a chegada do meu bebé. Li sobre a amamentação e sobre o leite. Li que não existe leite fraco, e que todas as mulheres têm a mesma hipótese de amamentar a longo prazo e em livre demanda. Li que os primeiros tempos poderiam ser difíceis mas que nada era impossível. Li que até mesmo depois de deixar de amamentar é possível voltar a ter leite. Li até o caso de uma mãe adoptiva que teve leite e amamentou o seu bebé! Lindo!
A amamentação não era um problema para mim, nem tão pouco era uma dúvida. Era um assunto arrumado. Eu ia amamentar em Livre Demanda até o meu bebé querer e pronto. Não comprei biberões nem chupetas, nem tão pouco bicos de silicone. Estava preparada para que não fosse fácil. Comprei cremes adequados para os seios, muitos soutiens de amamentação, almofada, discos e tudo isso.
O bebé nasceu e foi imediatamente colocado em cima de mim. Contacto pele a pele! Nasceu de parto vaginal e espontâneo, num parto que não podia ter corrido melhor! Com poucos minutos de vida foi colocado no meu peito… sentia-o a sugar, e pegou no bico do peito como se o tivesse feito antes.
Tudo corria dentro do normal, até ao dia seguinte. O peso baixou muito… Ele mamava muito… a toda a hora… Sentia-o sugar no meu peito, e sentia o leite a sair… em pequenos “jactos” que acompanhavam os movimentos da sua boquinha. Mas o peso baixou muito e não nos deixaram ir para casa.
Seguiram-se dias muito difíceis. Para ele, para mim, para o pai… para todos. O peso que não aumentava… As enfermeiras começaram a sugerir leite artificial. Recusei! Ele passava o dia na mama. Dia e noite, sempre a sugar… Quando não estava no peito, estava a chorar… O peito doía, horrores… Mas eu estava determinada. 4 dias depois, as enfermeiras apertaram em forma de ultimato. Era imperativo que o peso aumentasse, e era fundamental dar leite artificial. Aceitei. 2 dias depois fomos para casa. Fui, mas determinada em acabar com aquele leite artificial que lhe começaram a dar no hospital.
Dei mama… muita mama… Doeu-me! Doeu-me muito. Doeu-me o corpo e a vontade, mas nunca desisti.
O meu bebé só tinha duas formas de estar. Ou a mamar ou a chorar…De vez em quando recorria ao biberão para poder tomar um banho… Mas não desisti. Dormi com ele agarrado à mama noites inteiras. Quando o peso baixava demais, recorria ao biberão.
Bebi cerveja preta, como dizia a minha avó! Bebia litros e litros de àgua, como dizia a minha vizinha, tomei o Promil e mais um monte de coisas como dizia a farmacêutica, tirei leite com a bomba como dizia a enfermeira do centro de saúde… Fiz 30 por uma linha.
Pedi ajuda a enfermeiras, a CAM’s , a centros pós parto… Nada ajudou.”Não sei o que lhe dizer” – diziam elas! Cheguei a ter uma mulher a segurar e apertar na minha mama e na cabeça do meu filho para ter a certeza que ele “pegava bem”, e pegava, segundo ela!  Tirava leite com a bomba mas o leite tinha cor de água…
O meu filho só começou a ter um peso aceitável com a introdução das sopas… Aos 6 meses, ainda que o pediatra tivesse recomendado mais cedo…
Tem 12 meses e continuamos na mesma saga! Come sólidos de tudo um pouco. De manhã e à noite dou-lhe mama, mas depois tenho que lhe dar um biberão.
Quando oiço dizer que não existe leite fraco é inevitável a raiva que cresce em mim. Quando nos tratam, a nós mães que dão biberões, como se fossemos criminosas… como se não nos tivéssemos esforçado… como se tivéssemos falhado de alguma forma…
Sim, o meu leite não chegou! Eu bem o sei.

O meu filho em breve vai deixar de ter mama. E se tiver mais filhos, nem sei se vou tentar. Afinal eu sou a prova de que há leite que não chega. ”

Margarida Coelho


quarta-feira, 25 de outubro de 2017

“Avôzinho diz-me tu…”

O Vasco e o seu avô.

Um não fala porque ainda não aprendeu. O outro não fala porque a vida assim o quis. Ambos compreendem-se perfeitamente e adoram-se de coração!

Quis a vida que um AVC impedisse o avô do Vasco de falar correctamente. Balbucia algumas palavras de forma muito atabalhoada e para quem não o conheça é difícil compreendê-lo.

Conforme a vida lhe tirou, anos mais tarde deu-lhe. Deu-lhe um neto.

Um neto que o adora de coração. Um neto que não precisa que ele fala. Um neto, que ainda que com um atraso na fala o compreende perfeitamente e faz-se compreender.

Um neto que todos os dias pede para ir ver o avô. Um neto que não o larga.

Este avô, que pouco fala, ensina o neto. Juntos vão passear, brincar com os carros, ou arranjar qualquer coisa na garagem. Mais tempo houvesse e era vê-los horas enfiados na garagem  para mal da paciência da avó que só queria a garagem arrumada.

São farinha do mesmo saco. E não precisam de falar para que isso se veja ao longe!

Porque a fala não é tudo, e a compreensão do ser humano é transversal a tudo isso, estes dois são a prova de que na maior partes das vezes não é preciso falar. Basta amar.


Estes dois gostam-se de coração 


terça-feira, 24 de outubro de 2017

Empatia e bom senso!

Vivemos num mundo feroz. Cada vez mais feroz. Cada vez mais olhamos para o nosso umbigo e perdemos a empatia com o próximo.

Vizinhos que moram lado a lado, enfiam-se nas suas casas, sem saber sequer o nome daquele que é nosso semelhante. Já pensaram que se calhar temos mais em comum com os nossos vizinhos do que pensamos?! Será que se as pessoas falassem entre si, os vizinhos que nem se conhecem podiam tornar-se até amigos?!

Mas não. Cada vez mais queremos o melhor para nós, e só nós. E muitas vezes ignoramos a vida que não é nossa. A ausência da capacidade de calçar os sapatos dos outros...

Desrespeitam-se as prioridades. Olha-se para o tecto para fingir que não vemos aquela grávida no supermercado. “Eu tive gravida e nunca tive de passar à frente de ninguém!” – Pois, nem eu… A minha vida não é obrigatoriamente a vida dos outros. Não sabemos nós se é uma gravidez de risco… Não sabemos se a gravida está com dores, com os pés inchados, com dor ciática… tantas possibilidades. E muitas vezes, não cedemos o lugar, e porquê?! Para pouparmos 5 minutos?! E depois?! Esses 5 minutos fazem-nos mais felizes?! Muitas vezes estamos cheios de pressa para chegar a casa e nada… para quê a correria?!

Vamos ao centro comercial ou ao supermercado e lá estão os lugares de estacionamento reservados a famílias. Que se lixe! E pumba, lá metemos o carro. Mas de seguida, chega aquela mãe de 3 que sozinha com os putos teve que vir comprar comida que já não havia em casa. Aquela mãe para a qual nada é fácil. São 3 banhos, jantares para 5, compras para todos… Em todos os momentos da sua vida há um miúdo a comer sabão, a riscar paredes ou a saltar duma árvore… Sem descanso… Mas nós egoístas, poupámos de facto meia dúzia de passos, alheios ao que privamos a esta família numerosa, para quem tudo é sempre mais difícil.
Paramos o carro também nos lugares dos deficientes. Um lugar que não nos pertence. “São só 5 minutos”. O que nem nos passa pela cabeça é que para um deficiente motor este é um problema constante. Há sempre alguém que parou ali “só por 5 minutos.”

O mesmo se passa com os carros nos lugares reservados para deixar os miúdos na escola. Todos os dias, esses lugares estão ocupados e quase nunca por quem lhes tem direito. Mais uma vez, são só 5 minutos. 5 minutos esses, que dificultam só mais um bocadinho uma mãe ou um pai… 5 minutos que vão fazer alguém chegar atrasado. 5 minutos que fazem com que os pais, deixem o carro mais longe e levem os miúdos, à pressa, chova ou faça sol, resultando muitas vezes em pés molhados o dia todo…

Pagamos fortunas em ginásios, mas não somos capazes de subir umas escadas do centro comercial, Mas porquê?! Cansa mesmo assim tanto? Ficam horas á espera as mães de bebés em carrinhos, ou pessoas de mobilidade reduzida por pura preguiça dos outros! Não subimos escadas mas depois passamos horas no shopping a andar de um lado ara o outro.

São infindáveis os exemplos, em que desrespeitamos quem precisa à troca de quase nada. Se pensarem bem, é mesmo por mero capricho, privando muitas vezes pessoas de prioridades necessárias!

Nunca usufruí de qualquer tipo de prioridade ou condições especiais, Sabem porquê? Porque não preciso, e ainda bem que é assim.
Respeitemos os próximos. 


Regras de prioridade, Estacionamentos prioritários, e elevadores exclusivos são apenas exemplos de empatia, e bom senso. Usem-nos apenas quando precisam!


segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Personagens que o meu filho encarna!


Ter filhos é viver numa peça de teatro. Na peça mais recheada de personagens com todo um rol de personalidades todas elas fortes e barulhentas.
Senão vejam, personagens que o meu filho encarna:

  • ·         Hansel e Gretel – Por onde quer que ele passe, é possível segui-lo através do rasto de migalhas que deixa. 



  •         Speedy Gonzalez  – Sempre que entra numa loja e desata a correr pelos corredores à velocidade da luz! Tal como contei na Odisseia do IKEA!




  • ·         Gato das botas – quando faz merdinha e quer dar o seu ar de santinho


  • ·         Godzilla – quando estamos no parque e eu digo que vamos embora



  • ·         Dori do Nemo – Mais esquecido que sei lá o quê, principalmente se o mando arrumar…


  • ·         Salvador Sobral – quando canta… é com cada careta que mais parece que está a conter um peido (e se calhar está mesmo)

  • ·         Road Runner – quando ando atrás dele e ele foge de mim a sete pés com a língua de fora!

  • ·         Hulk – quando vem da avó (porque vem verde de tanto rebolar no chão)


  • ·         Pica – Pau – A chamar-me para jogar á bola ao Domingo às 8 da manhã!


  • ·         Gasparzinho – Sempre que ando à procura dele e ele evapora-se e dou com ele escondido atrás dos cortinados.

Por isso acho que é seguro dizer que a minha vida é uma animação!